Mestre Pastinha

Vicente Joaquim Ferreira Pastinha, nascido em 5 de Abril de 1889, em Salvador Bahia, filho de José Seitor Pastinha "Descendente de Espanhóis" e Raimunda dos Santos "Descendente de Africanos" escrava liberta de Santo Amaro/BA, iniciou na capoeira aos 8 anos de idade com Mestre Benedito "Descendente de Africanos" escravo liberto também de Santo Amaro/BA.

Aos 12 anos de idade Vicente Ferreira Pastinha alistou se na escola de aprendizes de marinheiros em 1902, no Largo da Conceição da Praia, onde ensinou sua capoeira a seus colegas até 1909 pedindo baixa da Marinha em 1910, lecionou até 1912 na rua Santa Isabel onde ensinava para Raymundo Aberrê, era uma época de forte repressão a capoeira, apesar que no Rio de Janeiro já existir um movimento de aceitação da capoeira como arte nacional, no entanto isso viria a acabar alguns anos mais tarde na Bahia.
 
Mestre Pastinha ficou afastado da capoeira por muitos anos, precisamente de 1913 a 1941 devido a inúmeras desordens e confusões provocadas por muitos mas atribuída apenas a capoeiristas.
 
Contava o Mestre que no período de 1910 a 1920 passou a tomar conta de casa de jogos, cassinos "como segurança", e que mesmo sendo capoeirista não se descuidava de um facão de 12 polegadas com corte dos dois lados, pois assim quem estava em meio aos jogadores não bancava o besta, o Mestre dizia que só trabalhava com esses afazeres quando sua arte não lhe rendia o suficiente para seu sustento, Pastinha foi pintor, engraxate, vendedor de gazeta, garimpeiro e construtor.
 
Em 1934, Getúlio Vargas acaba com o decreto que proibia a prática da capoeira com a condição de que esta fosse praticada em recintos fechados; Já em fevereiro de 1941 Aberrê leva o antigo Mestre em uma roda na Ladeira da Pedra fim da liberdade bairro da Jinjibirra onde se encontravam vários Mestres.
Amorzinho um guarda civil da época que era responsável pela entrega a responsabilidade da mesma a Mestre Pastinha para que retomasse a prática e o ensino da capoeira de onde se originou o CECA "Centro Esportivo de Capoeira Angola".
 
Com a morte de Amorzinho o CECA se perdeu, mas por insistência de Pastinha prosseguiu sendo oficializado em 1 de outubro de 1952 como diz o artigo da época;
 
"O Centro Esportivo de Capoeira Angola, fundado em 1º de Outubro de 1952, com sede na cidade de Salvador, estado da Bahia, é constituído de numero limitado de sócios, tem a finalidade de ensinar, difundir e desenvolver, teórica e praticamente a capoeira de estilo, genuinamente "Angola", que nos foi legada pelos primitivos africanos aportados aqui na Bahia de todos os santos." 
 
 Mestre Pastinha é considerado um dos maiores nomes da capoeira e o mais ilustre da capoeira Angola, durante alguns anos houve aqueles que discordassem disso por conflitos entre discípulos de Pastinha e de Bimba, contudo o primeiro encontro entre Pastinha e Bimba foi pacífico e respeitoso, aconteceu em 5 de julho de 1957 na lagoa de Abaeté, Salvador/BA.
Em 1964, Jorge Amado, um doas maiores escritores do Brasil e do mundo pública um livro "Capoeira Angola", dizendo:
"... mestre da Capoeira de angola e da cordialidade baiana, ser de alta civilização, homem do povo com toda sua picardia, é um dos ilustres, um de seus obas, de seus chefes. É o primeiro em sua arte; senhor da agilidade e da coragem, da lealdade e da convivência fraternal. Em sua escola no pelourinho, Mestre Pastinha constrói cultura brasileira, da mais real e da melhor..."
Em 1966, Mestre Pastinha integrou a delegação brasileira no Premier Festival Internacional dês Arts Négres em Dakar, Senegal na África, Mestre Pastinha se destaca como principal articulador da Capoeira Angola junto aos órgãos  públicos, quando em maio de 1955 é abandonado e o CECA caiu em Brotas e se instalou no largo do Pelourinho nº 19, Salvador/BA.
 
Em 1971 quase cego, retirado do espaço para reformas alegando a ele que voltaria quando a reforma chegasse ao fim que nunca houve pois o edifício foi desapropriado e depois vendido onde foi construído um restaurante. 
 
Já em depressão o Mestre sofre um derrame em 1979, e após um ano internado em um hospital público e é enviado para o Abrigo Dom Pedro II, falecendo em 13 de Novembro de 1981, com 92 anos, cego e na miséria.
Pastinha foi um poeta, um grande capoeirista, deixou dois meninos, e seus ilustres representantes e discípulos como João Pequeno de Pastinha e João Grande de Pastinha, Aberrê e dizia o seguinte:
"Ninguém pode mostrar tudo o que tem. As entregas e revelações tem que ser feitas aos poucos. Isso serve na Capoeira, na família e na vida. Há momentos que não podem ser divididos com ninguém e nestes momentos existem segredos que não podem ser contados a todas as pessoas."
Memorias:
Tenho vários treneos feitos por mim, estou fazendo os mestres de amanhã.

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